18/08/2017

RPG D20 vs 3D6

Existem muitos sistemas de RPG de mesa com diferentes formatos de lançamentos de dados. Certamente o sistema D20 é o mais difundido, principalmente após a Wizard's lançar o formato Open D20 que é base para muitos novos RPGs de mesa.

Jogo RPG a mais de 20 anos e ja conheci muitos sistemas, entre todos, aquele me proporcionou maior aferimento nos lançamentos, foram os baseados em 3D6. O alcance numérico do sistema é muito próximo do D20, pegando do 3 ao 18, contudo a grande mágica acontece nas probabilidades, eu explicarei. Enquanto no D20 a probabilidade de cair cada número é a mesma, 5%, no 3D6 a coisa muda de figura. A primeira vista, você leitor pode ter pego erroneamente o 100% e dividido pelo 18 e pensado que encontrou a probabilidade de aparecimento de cada número, contudo o calculo não é esse. O número 3, só pode ser tirado se cada um dos 3 dados apresentar o número 1, ja o numero 4 pode vir das combinações 2,1,1 | 1,2,1 | 1,1,2 ou seja, é três vezes maior que a probabilidade de se tirar 3. Sendo assim, no sistema com 3D6, o jogador irá conseguir geralmente números medianos e assim, altos e baixos valores serão raros e muito emocionantes. O gráfico abaixo mostra a probabilidade de cada número.

O sucesso do formato 3D6 é incontestável, tanto é que muitos jogadores de D&D desenvolvem hacks para jogá-lo com 3D6. Um sistema desenvolvido para 3D6, 3D8, 3D10 e assim vai, possui as mesmas qualidades. O quanto mais dados, mais forte serão os números medianos, o quanto menos dados, mais iguala-se as probabilidades.

Observando-se o gráfico acima pode-se perceber, que 48,14% das chaces em cada jogada, é a de sair os números 9, 10, 11, 12. Sendo assim, uma habilidade de nível mediano deve possuir basicamente estes valores, sendo acima de 12 um perito e abaixo de 9 um desajeitado. O sistema Gruta dos Goblins foi desenvolvido pensando nesse padrão. Diferente dos sistemas em D20, aumentar um nível na sua habilidade, fará uma grande diferença, para um sujeito mediano, mas menos diferença para um habilidoso. Isso dificulta o desnivelamento de personagens e evita "apelações", tornado a mecânica mais justa.

O crítico no D20 é obtido através do clássico 20, é inegavel a emoção de tirá-lo no dado, sua probabilidade é de 5% em cada jogada. Em um sistema 3D6 esses 5% de crítico podem ser feitos de várias formas. O que considero mais emocionante é o usar o 3 e 4 como crítico. A probabilidade somada dos dois números é de 1,85%, bem menor que os 5% do D20, e o Narrador ainda pode usar o 4 como um crítico e o 3 como um super crítico. Se você ainda não esperimentou o sistema usado no Gruta dos Goblins, que se assemelha ao GURPS em muitos aspectos, deveria tentar.

Mas o sistema ainda é um mero aparato para o role play, o grande definidor de uma boa aventura ainda fica na capacidade narrativa e interpretativa no narrador (geralmente chamado de mestre) e dos jogadores. Espero ter aberto sua mente para novas possibilidades, e não entenda o artigo como uma crítica ao D&D, pois todos sabemos que ele não é o rei por acaso. Grande abraço.